Salvador Dalí, pintor espanhol nascido a 11 de Maio de 1904, na Catalunha. Desde muito cedo esteve em contacto com o mundo das artes, onde ingressou na Academia de Belas-Artes em Madrid, no período de 1921 a 1926.

 

Mais tarde decide partir para Paris, com o intuito de se tornar membro oficial do grupo surrealista. Devido às suas crenças políticas fizeram-no ser exulpso do respetivo grupo. Nos anos seguintes vemos o nome do artista em participações em diferentes trabalhos artísticos, destacando-se os seus trabalhos de pintura, de escultura, no teatro e em outros ramos artisticos. O artista morre em 1989 e alguns anos mais tarde é sepultado no Teatro-Museu Dalí.

O excentrico artista é considerado um dos maiores artista do séc. XX. Dalí era multifacetado e desenvolveu a sua produção artística de diferentes formas: como na pintura, na escultura, como na arquitetura, no teatro, no cinema e na joalheria. Sendo assim, iremos destacar cinco obras de joalharia que foram elaboradas por Salvador Dalí e pelo designer e joalheiro Duque de Fulco di Verdura, sendo estas “Lábios de Rubi”, o “Elefante do espaço”, “A Persistência de Memória”, “O Olho do Tempo” e o “O Coração Real”.

  Figura 1

Iremos começar por analisar a obra “Lábios de Rubi”, elaborado em 1949, tratando-se de um alfinete composto por ouro, pérolas de cultura que representam o sorriso e os rubis que por terem uma cor avermelhada, representam os lábios.

Para a sua criação, Salvador Dalí, inspirou-se na atriz Mae West. Acredita-se que no processo criativo o artista baseou-se na teoria de Freud – pois afirma que os lábios era um reflexo da sexualidade.

   Figura 2
A peça seguinte trata-se de o “Elefante do Espaço” composto por ouro, rubis, diamantes, águas-marinha e um relógio Omega, elaborado em 1961. Conhecendo o trabalho de Salvador Dalí é possível observar a recorrente utilização de relógios nas suas obras, assim como os elefantes. Pensa-se que este elefante é inspirado da obra “Tentação de Santo Antão”, onde é possível observar quatro elefantes representados, semelhantes à obra em análise, afirmando “O elefante é uma distorção do espaço, as pernas finas contrapondo a ideia de imponderabilidade com estrutura.”  
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Figura 3
Na pintura elaborada em 1946, assim como a joia, o artista representa as quatro pernas de elefante como se tratasse de pernas de aranhas, uma vez que são quase invisíveis e de pequena espessura. Estas representam a beleza e o conhecimento contrastando com a fragilidade e vigor que a parte superior da joia enaltece. Sendo assim, obtemos uma figura de simbologia surreal, que está ligada ao universo ao espaço e ao imaginário do artista.  
Figura 4

Na pintura elaborada em 1946, assim como a joia, o artista representa as quatro pernas de elefante como se tratasse de pernas de aranhas, uma vez que são quase invisíveis e de pequena espessura. Estas representam a beleza e o conhecimento contrastando com a fragilidade e vigor que a parte superior da joia enaltece. Sendo assim, obtemos uma figura de simbologia surreal, que está ligada ao universo ao espaço e ao imaginário do artista.

Foi uma obra concebida em 1949 e trata-se de uma versão em formato de joia da pintura conceituada de Dalí, “A Persistência da Memória”. Esta pintura foi elaborada em 1931 e pensa-se que está relacionada à memória – assim como o título indica – e a temporalidade. Esta representação do tempo não se trata do tempo real, mas sim do tempo inconsciente do artista, nomeadamente a exploração dos sonhos. O artista ao longo da sua carreira foi influenciado pelo Freud, principalmente sobre as teorias da psicanalise, sendo mais tarde exploradas nas suas obras longo de sua carreira, como pode ser visto nesta obra. Segundo o próprio artista, o olho simbolizava a visão do presente e do futuro da qual o ser humano não pode escapar ou modificar.

  Figura 5

“O Olho do Tempo”, elaborado em 1949 com a colaboração de Carlos Alemany (joalheiro). A peça é composta por platina, diamantes, rubis, esmalte e ao centro um relógio que apresenta movimento. Apresenta a forma de um olho coberto de diamantes, onde nas iris e na pupila podemos observar o relógio e a assinatura de Salvador Dalí, simbolizando o problema que o artista observa na humanidade. O olho também foi um dos símbolos mais usados ao longo de sua carreira, como pode ser visto nesta obra. Segundo o próprio artista, o olho simbolizava a visão do presente e do futuro da qual o ser humano não pode escapar ou modificar.

   Figura 6

Por fim destacamos a peça “Honey Heart” concebida em 1949 por Salvador Dalí e por Carlos Alemany (Joalheiro), sendo esta composta por ouro, diamantes e rubis. Esta joia apresenta a forma de um coração, mais uma vez com a cor avermelhada dos rubis, simbolizam o amor, estando no centro da sua representação ouro e os diamantes.

Dalí começou a trabalhar na criação de joias por volta de 1938. O artista escolhia deliberadamente as gemas que seriam usadas, a sua decisão não se baseava apenas na qualidade e na cor, mas também pelos sentimentos que as pedras causavam ao artista. Como foi possível observar a temática das joias eram semelhantes as das suas pinturas: destacam-se os temas da religião, da mitologia, da natureza e o surrealismo. “Sem uma audiência, sem a presença de espectadores, estas joias não iriam alcançar a função para a qual foram criadas. O espectador é, assim, o artista final. O olhar, o coração e a mente – com mais ou menos capacidade de entender a intenção do criador – embelezam as joias com a vida”. – palavras do artista acerca das suas joias.

  Figura 7