A Igreja de São Roque foi construída no final do século XVI, no local da antiga ermida manuelina, por Afonso Álvares (mestre de obras de D. João III) tratando-se de uma igreja dedicada a São Roque.

 

Esta igreja foi pensada e contruída sobre as recomendações litúrgicas do concílio de Trento, apresentando no seu exterior uma arquitetura austera e simétrica que contrasta com o seu interior.  O interior da igreja foi terminado por pelo arquiteto Filippo Terzi (1520- 1597) e apresenta uma planta de uma nave, oito capelas laterias e uma capela-mor. Uma das capelas a realçar é a capela de São Roque, onde a sua existência é anterior à construção da igreja atual.

O Barroco tratou-se inicialmente de um período experimental, que assim como os outros períodos artísticos, inicia-se de uma forma fragmentada, principalmente por motivos decorativos em edifícios já existentes. As colunas salomónicas foram uma das grandes novidades deste novo período, que procurava quebrar padrões estéticos anteriormente criados e repetidos. Visto que os arquitetos portugueses não se encontravam numa fase de concretização da linguagem barroca no panorama arquitetónico, o barroco em Portugal desenvolve-se principalmente numa vertente mais decorativa. Sendo os tetos pintados com iconografias do Antigo Testamento, a utilização da talha dourada e o azulejo vertentes decorativas mais privilegiadas.

1 diamante hopeFigura 1 Igreja de são Roque (interior)

O museu de São Roque abriu oficialmente dia 11 de Janeiro de 1905, e foi um dos primeiros museus de Arte criados em Portugal. Quando foi inaugurado recebeu a designação de “Museu de Thesouro da Capela de São João Baptista”, estando instalado em Lisboa, no edifício da antiga Casa Professora da Companhia de Jesus. O museu foi sujeito a diversas remodelações durante os anos, sendo a mais importante de salientar a remodelação de 2006 e 2008, permitindo aumentar o espaço da exposição permanente.

Após a visita ao Museu de São Roque destacamos algumas peças de maior importância, começando pelo cofre relicário de São Francisco Xavier. Este cofre é composto por prata vazada, vidro, madeira dourada e policromada, concebido em Goa entre 1686-90.

A peça foi feita a mando de D. Rodrigo da Costa (1757-1722) que era o governador do Estado Português na Índia. É uma peça importante devido ao seu peso simbólico para a companhia de Jesus, assim como para os católicos em Goa associando-se ao culto de São Francisco Xavier, visto que este cofre foi concebido com a intenção de guardar a relíquias do respetivo Santo.

 2 diamante Figura 2 Cofre Relicário de são Francisco Xavier 

A estrutura do cofre é inspirada num templo octagonal decorado com motivos orientais e com um rendilhado fitomórfico, que era habitualmente utilizado na ourivesaria produzida em Goa. Encontra-se exposto no Museu num local dedicado a peças de arte oriental provenientes da índia, China e Japão.

O cofre passou por diversas famílias sendo mais tarde doado ao Museu de São Roque pela D. Teresa Mendia de Castro – descendente do condes de Nova Goa – em 2009, por considerar que esta peça merecia ser exposta num museu.

Duas peças que merecem igualmente destaque são o Par de Tocheiros Monumentais, concebidas em Roma em 1751-52, por Giuseppe Gagliardi (1697-1749).

Os tocheiros são compostos por prata dourada e bronze dourado fundido e cinzelado. Foram criados com destino à Capela de S. João Baptista, tratando-se de uma encomenda de alfaias religiosas. Tratam-se de verdadeiras peças de ourivesaria monumentais exaustivamente decoradas, onde é possível observar as figuras dos doutores da Igreja na parte inferior. Estas figuras são importantes pois são homens que se distinguiram pelo ensino e estudo da religião, sendo assim fundamental a sua representação.

Cetro William CluttonDavid Cox
Figura 3 Par de Tocheiros
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Os tocheiros apresentam uma base triangular feita em bronze dourado, onde assenta uma estrutura que se desenvolve em formato de pirâmide, sendo esta sustentada por titãs. É possível observar uma cornija que se desenvolve em cúpula, sendo esta rematada por conchas, sendo possível ainda observar o escudo de D. João V, representados nas três faces de cada tocheiro. Trata-se de uma peça monumental e fascinante que merecer ser contemplada presencialmente.

Por último destacamos a Lavanda (Salva e Gomil), produzidos em Roma em 1746/47, por Vincenzo Belli (1710-1787), sendo constituído por prata dourada fundida e cinzelada.

Trata-se de uma peça de aparato litúrgico constituído por uma salva e gomil, sendo a sua função os banhos dos celebrantes. Estas peças de ourivesaria foram encomendadas para a Igreja de São Roque, mais precisamente para a capela de São João Baptista.

 O corpo do gomil apresenta uma asa em forma de torso e decoração composta por medalhões com as figuras da Virgem, de Cristo e alegorias da Fé, Pureza, Justiça e Paixão. A decoração da Salva apresenta grinaldas, volutas e putti, onde se enquadram medalhões com a figuração de São Pedro recebendo as chaves, o Milagre da multiplicação dos Pães, São João Batista pregando no Deserto e a Aparição de Cristo ressuscitado a Maria Madalena.

Cetro William CluttonDavid CoxFigura 3  Lavanda (Salva e Gomlil)
Vincenzo Belli

De forma a concluir, entendemos que a Igreja de São Roque foi uma parte fundamental para a difusão do Barroco em Portugal, especialmente no aspeto decorativo, sendo o culto prestado a São Roque – num período de expansão da peste negra pela Europa – uma figura fundamental na superação da crise epidemiológica e implementação deste novo estilo artístico. Sendo assim, recomendamos a visita tanto à Igreja como ao Museu de São Roque, por se tratarem de dois exemplos importantes na história de Portugal e do Barroco em Portugal.